Selvageria
Os Atos de selvageria praticados por quatro marginais ocupantes de um veículo que arrastaram uma jovem menor de idade de dentro da casa de seus pais, na cidade de Boca da Mata, não levando a outra irmã porque conseguiu escapar das mãos dos bandidos, causou revolta e perplexidade aos habitantes do Estado de Alagoas.
Os bandidos, após levarem à força a adolescente, a estupraram, praticando atos de violência, conjunção carnal e outras atrocidades descritas pelo próprio pai das menores em entrevista a um programa de televisão local, que disse: "O que os bandidos iriam fazer com as minhas duas filhas, fizeram tudo com a única que levaram". Em tom de revolta, desespero e desabafo, clamava por justiça e dizia que o único estuprador confesso, que tinha sido preso, teria fugido de uma das celas da Delegacia de Boca da Mata, o que ele achava impossível de ter acontecido. Declarou que o bandido foi embora com a conivência do único policial que estava na Delegacia.
Fazendas são invadidas, assaltadas e os proprietários são espancados e roubados, isso, quando não têm suas esposas e filhas estupradas.
Faz-nos lembrar a época de Lampião que saqueava, matava e estuprava impunemente, acompanhado dos seus famosos cangaceiros, mortos em confronto com a briosa Polícia Militar do Estado de Alagoas.
Naquele tempo, o governo do Estado de Alagoas criou as famosas "volantes" que tinham como objetivo maior e questão de honra, acabar com Lampião e seu bando. E isso foi consumado. Para tanto, o governo contava com a Polícia Militar e com a ajuda dos senhores de engenho e donos de terra que também contribuíram no combate ao cangaço. Muitos deles receberam patentes de capitão e de major, outorgadas pelo governo, por atos de bravura. Entretanto, naquele tempo os cidadãos podiam ter livremente em suas fazendas, armas e munição para defesa própria, de seus familiares e de seus bens. Lamentavelmente, o famigerado Estatuto do Desarmamento desarmou os homens de bem, enquanto os bandidos se armaram e a violência aumentou de modo assustador.
Todo cidadão, é por excelência, um policial! Pode e deve prender em flagrante delito quem quer que esteja cometendo um crime ou o tenha acabado de fazê-lo. Sem falar da sua condição de defensor da Pátria que em caso de guerra é convocado para defendê-la.
Sou favorável à revogação do Estatuto do Desarmamento e da concessão do porte de arma para as pessoas decentes e que dele necessite. Fiquei chocado porque votei em um Senador, outorguei-lhe um mandato, para ele, a minha revelia, votar contra as minhas convicções e o interesse do meu povo.
Às vezes penso que é chegada a hora da sociedade civil, organizar-se e começar a combater os bandidos, sob pena de assistirmos cenas degradantes como estas e sermos atingidos um a um, na nossa passividade incomum, pois como disse o poeta Augusto dos Anjos: "O HOMEM QUE NESSA TERRA MISERÁVEL VIVE ENTRE FERAS, SENTE INEVITÁVEL NECESSIDADE DE TAMBÉM SER FERA!"
Diria como Castro Alves: "Que povo é esse que sua Bandeira empresta para cobrir tanta infâmia e covardia?" Estamos marchando para uma guerra civil em face da falência do poder público no tocante à questão da segurança.
Que seja revogado o Estatuto do Desarmamento, eis que a população brasileira, quando do Plebiscito realizado nacionalmente, disse não ao fim das armas e subseqüentemente ao desarmamento.
(*) É Advogado, Procurador de Estado, Diretor Geral da SEUNE e Membro da Academia Maceioense de Letras.
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