Dia Mundial de Conscientização da Violência à Pessoa Idosa
A vida longa é um prêmio. A velhice pode ser um tempo de intenso desenvolvimento social e espiritual. Não há nada que justifique a exclusão das pessoas idosas. Quem envelhece não deseja que sua vida sofra uma contração, pois, apesar das perdas, das dificuldades e dos problemas, o idoso quer viver mesmo sendo velho. A cidadania é uma condição que inclui direitos e deveres.
O que percebemos, na prática, são atitudes de discriminação e exploração àqueles (as) que deveriam ser venerados e respeitados, pelos mais jovens, como pessoas que muito contribuíram para sua formação e desenvolvimento. Os idosos têm sido vítimas dos mais diversos tipos de maus-tratos, que podem vir em forma de insultos espancamentos pelos próprios familiares e cuidadores, até os desrespeitos sofridos em transportes públicos e instituições públicas e privadas. “Nenhum idoso será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos.” (Estatuto do Idoso art. 4º).
O não cumprimento do estatuto gera as diversas formas de violência e maus-tratos contra a pessoa idosa, são eles:
Abusos físicos constituem a maior parte das queixas das pessoas idosas e costumam acontecer no seio da família, na rua, nas instituições de prestação de serviços, dentre outros espaços.
Abusos psicológicos correspondem a todas as formas de menosprezo, de desprezo, de discriminação que provocam sofrimento mental.
Abandono é uma das maneiras mais perversas e desumanas de violência contra a pessoa idosa.
E são comuns os casos de queixas que chegam a ser notificadas pelos órgãos públicos: colocar a pessoa idosa num quartinho nos fundos da casa privando-a do convívio familiar e social; Deixá-la em abrigo ou em qualquer outra instituição de longa permanência para se livrar da sua presença na casa; Negligência já se tornou fato comum para essa população esse ato de violência que é a omissão ou recusa de cuidados por parte dos familiares, serviços públicos e instituições. Abusos Financeiros é a exploração imprópria ou ilegal da pessoa idosa no uso não consentido de seus bens financeiros ou patrimoniais. Cometidos por familiares, órgãos públicos e privados.
Auto-negligência consiste na ameaça a própria vida pela pessoa idosa, deixando de prover cuidados necessários a si próprios conduzindo a uma morte lenta ou á tentativa de homicídio levando á autodestruição.
Mediante esse quadro estarrecedor de violência e maus-tratos nos deixa clara a maneira contraditória com que à família e a sociedade tratam as pessoas idosas. A falta de conhecimento sobre o envelhecimento faz com que a sociedade nos mostre apenas um lado da moeda, uma visão negativa onde só há perdas esquecendo que existem ganhos nessa fase da vida e precisa ser reconhecidos e dado o devido valor, romper com os mitos e preconceitos que existem em torno do envelhecimento.
A violência e os maus-tratos a pessoa idosa é um problema que precisa ser superado com o apoio de toda a sociedade. Todos nós de mãos dadas devemos lutar por uma cultura de vida em que envelhecer seja aceito como parte natural do ciclo de vida, que as atitudes antienvelhecimentos sejam desencorajadas, as pessoas idosas tenham o direito de envelhecer e viver com dignidade, livres de abuso e exploração, que seja dada a elas a oportunidade de serem protagonistas de suas vidas participando plenamente da vida social.
O principal objetivo do dia 15 de Junho é promover a consciência sócio-política mundial da existência da violência contra a pessoa idosa e ainda conclamar a todos para não aceitar a violência à pessoa idosa como sendo um processo normal.
Que o Dia Mundial de Conscientização à Violência Contra a Pessoa Idosa colabore para a sensibilização das pessoas e da sociedade, em vista da necessidade de olhar para os envelhecidos com amor, na certeza de que a velhice é um dom de Deus. Muitos gostariam de chegar lá, porém, serão, antecipadamente, ceifados. Toda atitude de violência deve ser combatida, especialmente, quando se trata de pessoas debilitadas pela idade avançada, portanto, indefesas e frágeis.
*É coordenador estadual da Pastoral da Pessoa Idosa – CNBB/AL.
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