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Democracia e Corrupção

09:11 - 27/01/2010 *Sebastião Palmeira

Assisti através da Rede Record de televisão, cenas chocantes de violência, praticadas pela polícia de Brasília, contra estudantes e pessoas indefesas que protestavam contra os atos de corrupção praticados pelo Governador do Distrito Federal e pelos Deputados Distritais, que encheram os bolsos, as meias, as cuecas e as pastas de mão, com dinheiro desviado do poder público e, por extensão, do povo brasileiro.

As cenas mostradas pela televisão me fez reviver os momentos de repressão do regime militar, da invasão da UnB, em 1968, quando lá estudava, e de outras atrocidades próprias de um regime de exceção. Pessoas pisoteadas pela cavalaria e policiais agredindo e espancando estudantes que não representavam qualquer perigo, apenas protestavam contra essa vergonha e esse estado de coisas.

A Polícia de Brasília é a mais bem paga do Brasil e também a mais violenta, o que não pode acontecer em um governo dito democrático, presidido por um ex-líder sindical, um operário que chegou ao poder combatendo o regime militar. Como se isso não bastasse, a Ministra chefe do Gabinete Civil, é ex-militante das lides comunistas e ex-guerrilheira, o que nos causa espécie o acobertamento dessa violência, pois vimos o próprio comandante da Policia Militar de Brasília, espancando estudantes, e uma jovem senhora sendo jogada por um policial militar à distância, de cuja queda resultou a fratura do braço (punho).

No atual regime político, convivemos com dois pesos e duas medidas. “Os Sem Terra”, invadem propriedades, bloqueiam estradas, saqueiam caminhões de carga que transitam nas rodovias brasileiras, invadem prédios públicos e nada acontece. Contam com o beneplácito do Governo Federal, enquanto os estudantes e as pessoas do povo são espancadas e pisoteadas pela polícia repressora do governo do Distrito Federal. Simplesmente por protestarem contra a rapinagem do dinheiro público e do enriquecimento ilícito de muitos políticos.        

O Brasil que não combate os bandidos, os assaltantes, os estupradores, os traficantes de drogas e os ladrões do povo, usa a sua polícia e os seus cavalos para reprimir, espancar e torturar inocentes, coisas que o atual regime combateu em um passado recente.

Esses ladrões do erário público, lobistas e recebedores de propina, deveriam ser cassados, afastados do poder e presos, para o bem de todos e felicidade geral da Nação.

O Brasil saiu do Regime Militar e mergulhou na mais profunda corrupção, em um verdadeiro mar de lama, como se redemocratização fosse sinal de corrupção e democracia sinônimo de roubo. Nunca se viu tanta corrupção no Brasil como nos dias atuais. Estamos pagando muito caro por essa pseudo-democracia.

Há no Brasil um movimento pleiteando a apuração e condenação de militares acusados de tortura e desaparecimento de presos políticos. A lei da Anistia foi ampla, geral e irrestrita, anistiando civis e militares que se envolveram em crimes de morte e tortura durante o regime militar. “Por que reacendermos essa guerra fratricida, reabrimos essa chaga, quando o país foi pacificado com a Lei da Anistia, os exilados retornaram à Pátria, readquiriram os seus direitos políticos, os seus empregos e muitas famílias receberam indenizações pela perda de seus entes queridos?”.   

Devemos lutar sim, para que abusos como os que foram praticados em Brasília não mais voltem a acontecer. Para que o povo tenha segurança, e que a polícia seja empregada no combate à violência e contra os marginais, os traficantes de drogas e de armas, jamais contra o povo ordeiro e pacífico que tenta tirar do poder um Governador corrupto e Deputados de igual quilate.

O Presidente Fernando Collor de Mello teve mais dignidade do que o atual ocupante do Governo do Distrito Federal. Acusado de corrupção, jamais usou a polícia, o exército ou as forças armadas para reprimir as manifestações realizadas contra ele. As pessoas saíram às ruas, fizeram passeatas, os cara pintadas manifestaram-se democraticamente, sem que nenhuma repressão acontecesse contra eles. Deixou o poder com a mesma elegância com que subira a “Rampa do Planalto”. Cometeu erros e falhas governamentais, porém, quando obrigado a deixar o poder teve a postura de um Estadista. Ao fazer tal afirmação o faço por uma questão de Justiça, vez que, não tenho nenhuma ligação política ou pessoal com o Ex-Presidente da República.

Basta de corrupção. O Brasil não merece isso!

 

(*) É Advogado, Conselheiro da OAB/AL, Procurador de Estado, Diretor Geral da SEUNE e Membro da Academia Maceioense de Letras.

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