Polícia investiga participação de terceiro criminoso em morte de cartunista da Folha
A Polícia Civil informou na manhã desta sexta-feira que investiga a participação de uma terceira pessoa no assassinato do cartunista Glauco Villas Boas, 53, morto na madrugada de hoje em sua casa, no bairro Jardim Três Montanhas, em Osasco (Grande São Paulo). Ninguém foi preso pelo crime.
Informações preliminares apontavam que os criminosos invadiram a casa do cartunista por volta da 0h de hoje em uma tentativa de assalto --as circunstâncias do crime, no entanto, não foram esclarecidas, e um dos suspeitos, de acordo com a polícia, era conhecido da família. Estão sendo feitas buscas pelos criminosos.
De acordo com informações de Ricardo Handro, advogado de Glauco, o cartunista negociou e iria sair de casa com os criminosos, deixando a mulher e os filhos em casa. Apesar disso, um dos filhos de Glauco chegou à residência e houve discussão com os criminosos, que atiraram e mataram pai e filho.
O cartunista e seu filho chegaram a ser socorridos por testemunhas e encaminhados para o Hospital Albert Sabin, em São Paulo, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.
O caso foi registrado no 1º DP de Osasco, mas será encaminhado para o 7º DP da cidade, segundo informações da Polícia Civil. Por volta das 9h, o corpo do cartunista permanecia no IML (Instituto Médico Legal) de Osasco. A polícia não soube informar se algo foi roubado da residência de Glauco.
Carreira
Nascido em Jandaia do Sul, interior do Paraná, Glauco começou a publicar suas tirinhas no "Diário da Manhã", de Ribeirão Preto, no começo dos anos 70. Nos anos de 1977 e 78, Glauco foi premiado durante o 4º e o 5º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, respectivamente.
Em 1977, ele começou a publicar seus trabalhos na Folha de maneira esporádica. A partir de 1985, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal.
Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.
Em 2006, ele lançou o livro "Política Zero", reunião de 64 charges políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 da Folha. Glauco também era líder da igreja Céu de Maria, ligada ao Santo Daime e que usa a bebida feita de cipó para fins religiosos.
Fonte: Folha Online
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