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Lições da Copa africana para o Mundial do Brasil em 2014

21:01 - 12/07/2010

A Copa do Mundo da África do Sul terminou com uma avaliação positiva no quesito organização. Problemas aconteceram, como em todo evento de grande porte, mas as falhas e acertos dos sul-africanos ficam como escola para os brasileiros, que organizarão o próximo Mundial, em 2014.

O iG selecionou alguns dos pontos considerados fundamentais para a realização de um evento como a Copa do Mundo e mostra o que deu certo ou errado no continente africano (ao final da matéria, veja uma galeria especial de imagens com os problemas da competição).

Transporte
Começou caótico, ainda mais em Joanesburgo, principal sede da Copa, mas terminou com elogios, principalmente referente aos aeroportos. Não houve “gargalo” de voos, e a estrutura dos aeroportos das principais cidades da África do Sul é bem melhor do que nos grandes aeroportos internacionais do Brasil.

Os organizadores temiam mais os problemas do trânsito do que a violência, tão propagada meses antes. Joanesburgo, a maior cidade do país, sede do IBC (o centro de imprensa) e de dois dos principais estádios (Soccer City e Ellis Park), tem um tráfego tão ou até mais intenso do que São Paulo, considerado o pior do Brasil. O transporte público é tão problemático quanto o brasileiro, ou seja, quem tem carro se desloca com seu automóvel e evita usar ônibus ou trens.

Antes de a competição começar, o COL (Comitê Organizador Local) pensou em resolver o problema para chegar aos estádios em dias de jogos com estacionamentos mais distantes, que fariam os torcedores deixarem seus carros ou vans longe e terminarem o trajeto a pé. Na abertura do Mundial, dia 11 de junho, não deu certo. Teve trânsito engarrafado a sete quilômetros do estádio. Após o evento, algumas pessoas demoraram três horas para se deslocar até os hotéis onde estavam, distante poucos quilômetros. Atrapalhou também a desinformação dos voluntários, que não sabiam apontar com exatidão o local dos bolsões de estacionamento.

Tudo melhorou com a inauguração de uma estação de trem próxima ao estádio Soccer City. Ir aos duelos nesse estádio ficou bem mais fácil, porque a população local passou a deixar seus automóveis em casa ou até em estações mais distantes. Na Cidade do Cabo, o trânsito era até mais caótico em dias que não tinham jogos e que não era feito um trabalho especial para a movimentação na cidade, como pode ser visto na imagem acima.

Estádios
Alguns campos impressionaram pela beleza, como o Soccer City ou o Moses Mabhida, em Durban. Mas a infra-estrutura deixou a desejar. Boa parte deles, principalmente os da Cidade do Cabo e de Durban, tendem a se transformar em “elefantes brancos”, ou seja, não terão mais utilidade.

Quem acompanhou jogos in loco observou problemas que a Fifa, neste momento, coloca como impedimento para alguns estádios brasileiros, como o Morumbi, serem sedes da Copa 2014. O Real Bafokeng, em Rustemburgo, tinha fosso, algo que o caderno de encargos da entidade proíbe. Havia também pontos cegos em alguns campos - o torcedor não conseguia ver a outra trave, dependendo do local no qual estivesse sentado. No Ellis Park, o campo da estreia brasileira contra a Coreia do Norte, em Joanesburgo, não havia água quente para os jogadores tomarem banho depois da partida.

Houve também problema para encher os estádios. A Fifa teve que utilizar voluntários para preencher espaços vazios em muitos jogos, principalmente em cidades como Polokwane e Nelpsruit, que não têm o futebol como esporte predileto da população. A Fifa até tentou incentivar o povo a comparecer, com preços mais baratos. Mesmo assim, os R$ 47 do bilhete mais em conta é um valor alto para boa parte da população que gosta realmente de futebol.

Os gramados também foram um problema. Pela primeira vez na história das Copas, algumas seleções deixaram de reconhecer o gramado um dia antes do jogo para poupá-lo e evitar buracos. Ordens da Fifa. Um dos piores foi o de Porto Elizabeth, no qual o Brasil perdeu para a Holanda nas quartas de final. Segundo a Fifa, houve demora para a fixação da grama em alguns estádios e aqueles em área litorâneas sofreram com as chuvas desta época do ano, sendo castigados.

Os telões também geraram polêmica. Normalmente, eles passam o jogo todo e os replays da transmissão oficial, mas a Fifa havia proibido os lances polêmicos, para evitar pressão sobre os árbitros. O problema é que na partida entre Argentina e México, pelas oitavas de final, o trio de arbitragem italiano não viu que Tevez estava impedido, no primeiro gol, e o validou. O telão mostrou o replay, com “tira-teima” e tudo, o que causou revolta da torcida e dos jogadores mexicanos. O árbitro Roberto Rossetti quase voltou atrás, mas acabou decidindo pelo gol sem levar em conta a tecnologia, o que é proibido pela Fifa.

É provável que no Brasil, daqui quatro anos, ao menos seja usado tecnologia para saber se a bola entrou ou não, como no chute do inglês Lampard contra a Alemanha. A bola bateu no travessão e caiu 33 centímetros dentro do gol. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu desculpas aos ingleses por causa do erro do uruguaio Jorge Larrionda.

Segurança
Houve assaltos? Sim, de jornalistas e turistas, mas nada anormal ou que não aconteça também no Brasil ou na Europa. Próximo aos estádios, o esquema de segurança montado pelo governo sul-africano foi elogiado. Foram criados bolsões, nos quais o policiamento era reforçado, pessoas eram revistadas e só passavam se deixassem para trás qualquer objeto que pudesse se tornar arma.

Dentro dos estádios, a segurança falhou principalmente em evitar invasões de campo. Foram três que chamaram a atenção: na primeira fase, dezenas de argelinos entraram no gramado antes da partida contra a Eslovênia e até tiraram foto com os jogadores. Na semifinal Espanha x Alemanha, um torcedor entrou no gramado com a bola já rolando, e na final Espanha x Holanda um sujeito tentou agarrar a taça, levou um soco e pode até ser processado por tentar roubar o troféu.

Houve até quem tentasse invadir um vestiário, no caso o da Inglaterra, depois do empate contra a Argélia. O invasor foi retirado do local por David Beckham, jogador machucado que acompanhava a delegação, e preso. Disse à polícia que estava procurando o banheiro.

Eleição da Fifa
Algo que precisa de ajuste da Fifa para 2014: a eleição que escolhe os melhores em campo e que é feita pela internet. Cristiano Ronaldo, por exemplo, entregou seu prêmio a Thiago na vitória de 7 a 0 sobre a Coreia do Norte. Ronaldo também foi escolhido o melhor em campo contra o Brasil, o que causou revolta e ironia dos brasileiros, já que ele foi anulado pelo zagueiro Lúcio. Normalmente, o atleta mais conhecido leva vantagem em votação aberta para os torcedores.

Vuvuzela e Jabulani
No Brasil talvez não haja cornetas no estádio. As vuvuzelas irritaram jogadores, técnicos e torcedores. Não se ouvia uma instrução em campo, a Fifa pensou em vetá-las, mas voltou atrás com receio da repercussão negativa.

E a bola que foi criticada por quase todos os goleiros pela reviravolta que dava em seu curso depois de chutada, a Jabulani, também deverá ser repensada para 2014. A Adidas, que fornece material esportivo para a Fifa, terá quatro anos para desenvolver um produto a ser elogiado pelos jogadores



Fonte: IG

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