27 anos depois, “Panorama do cinema alagoano” ganha nova edição
Em 1983, o professor e crítico de cinema Elinaldo Barros transformou em livro o que sabia sobre a tímida trajetória da produção cinematográfica em chão alagoano. Em pouco tempo, a obra “Panorama do cinema alagoano” se tornou uma espécie de oráculo para estudantes, pesquisadores e curiosos em busca de informações das “aventuras” de filmar em Alagoas.
Animado com o resultado da primeira empreitada, ele continuou escrevendo e lançou “Cine Lux – Recordações de um cinema de bairro” (1987) e “Rogato – A aventura do sonho das imagens em Alagoas (1994). Juntos, os três livros guardam a maior quantidade de nomes, datas, personagens, lugares, eventos e histórias do cinema local.
Mas não é tarefa fácil encontrar um exemplar deles. Não à toa, há anos Elinaldo recebe pedidos e cobranças para novas edições. Duas décadas depois, ele finalmente começa a ceder e trabalha na reedição de “Panorama do cinema alagoano”, que vai reaparecer com projeto gráfico moderno, texto atualizado e selo da Edufal.
“Depois de um tempo morno, as produções ressurgiram com muito vigor em nosso estado, principalmente com o incentivo de projetos como o DocTV e outros editais nacionais. Gente nova apareceu com propostas boas e filmes de qualidade. É preciso registrar esse momento”, conta o “homem do cinema alagoano”, que há décadas aparece na televisão e nos principais jornais falando da arte que gosta desde criança.
Novas mãos e cabeças
Para atualizar e aumentar o raio de alcance da nova edição de “Panorama...”, Elinaldo conta com a dupla de pesquisadoras Simone Cavalcante e Larissa Lisboa. Elas o ajudam a garimpar informações exatas e imagens interessantes, principalmente sobre cineastas e produções dos últimos anos.
A dupla também acompanha o novo visual do livro, que conta com a participação do publicitário e documentarista Werner Salles. A intenção, explicam, é deixar mais harmônica a relação das palavras com as imagens.
“É uma obra muito importante para a nossa história cultural e, por isso, deve voltar a circular e facilitar o acesso a essas preciosas informações”, ressalta Simone Cavalcante, que conseguiu o apoio do Cesmac para o projeto. O relançamento de “Panorama do cinema alagoano” será seguido de seminário e documentário.
Mais uma vez animado com o ofício de escritor, Elinaldo conta que no capítulo dedicado aos novos realizadores irão aparecer nomes como Werner Salles, diretor dos documentários “Imagem Peninsular de Ledo Ivo” e “História Brasileira da Infâmia”; Arilene Castro (“Areias que falam”), Pedro Nunes, José Feitosa, Pedro da Rocha e Mário Feijó, que acaba de finalizar “Ana Bela”.
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