Denis Matos: registros poéticos de Maceió
No início de 1970, Denis Matos percebeu que o desenho e a pintura o acompanhariam para o resto da vida. De lá para cá, ele acumula sete diplomas de cursos superiores, entre graduação e pós. A maioria na área de administração de empresa, o que lhe garantiu trabalho para uma vida digna.
Mas nos últimos 40 anos, o ofício de artista plástico nunca esteve em segundo plano. Pelo contrário, a produção aumentou, amadureceu e ele enveredou por outros caminhos, como a cenografia e a curadoria de exposições.
Na pintura, sua marca registrada é fazer retratos poéticos de paisagens e monumentos de Alagoas. “O Denis tem um olhar de pesquisador. Atento, percebe texturas, formas, cores e profundidade em cenas que nos passam despercebidas na correria cotidiana. A partir daí, ele registra as coisas simples e necessárias que nos identificam enquanto alagoanos”, diz Acioli Filho, professor de artes da Universidade Federal de Alagoas.
Para reconstruir o que vê nas ruas da cidade, o artista nascido em Maceió usa como fio condutor o estilo geométrico retilíneo, uma decorrência do cubismo. “Eu deformo o ambiente ou o objeto que vou retratar para o geometrismo, dando as minhas impressões sobre como sinto o que estou pintando”, explica Denis, que em 2009 terminou a especialização no ensino das artes plásticas, na Ufal.
Nus e religião
Inquieto, Denis não cessa a busca por novos suportes e temas para suas telas. Já percorreu o sacro e o profano, com séries de símbolos religiosos e a sensualidade dos corpo nus. “Apesar de se manter fiel a cidade, presente na maioria da sua obra, ele não se acomoda com os resultados já obtidos e sai em busca de outras experiências”, ressalta a professora e crítica de arte Socorro Lamenha.
O laboratório estético do artista é o ateliê que já percorreu diversos cômodos da casa onde mora desde criança. “Hoje preciso de mais espaço e invadi a área dos fundos. Lá, tenho a tranquilidade e o material necessários para produzir minhas telas, mas também gosto de pintar em espaços abertos, com a interação com o público”.
Acioli Filho concorda com Denis e diz que ele tem um espécie de ecoateliê. “O espaço da criação dele também é a cidade, são as ruas, as praças. O espaço habitado é o espaço de criação. De forma muito simples e cores fortes, ele faz registros poéticos que nos sensibilizam e nos fazer perceber melhor a cidade e as pessoas”.
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