Cultura alagoana fica em silêncio com a morte do artista plástico Pierre Chalita
O fim de tarde cinzento corria normalmente na avenida Siqueira Campos, uma das principais da parte baixa da cidade, que liga os bairros do Prado ao Trapiche. Os ônibus e carros trafegavam desvencilhando-se das obras de infraestrutura presentes em vários trechos da estrada. As pessoas se aglomeravam nas ruas, apressadas, sem se dar conta, talvez, dos acontecimentos que estavam ocorrendo do outro lado de Maceió.
Na parte norte da cidade, no bairro de Jaraguá, dezenas de admiradores, amigos e parentes se despediam do artista plástico Pierre Chalita, onde o corpo dele foi velado. Na despedida, emoção e orações, durante a celebração da missa de corpo presente.
O professor e colecionador de artes plásticas morreu na madrugada desta sexta-feira, 30, no Hospital do Açúcar, em Maceió, onde se encontrava internado desde o sábado, 17, devido a complicações hepáticas. Chalita respirava com a ajuda de aparelhos e morreu de falência múltipla dos órgãos, aos 80 anos. Ele era detentor de um dos maiores acervos sacros de Alagoas.
O enterro do artista, considerado pelos amigos e profissionais das artes plásticas, um dos ícones da cultura alagoana, foi realizado às 17h, no cemitério Nossa Senhora da Piedade, no bairro do Prado, em Maceió.
Para os amigos presentes, a despedida de Chalita era uma espécie de conforto para as lembranças vividas. Dona Marinete Correia de Cerqueira conheceu Pierre Chalita quando ele se casou com Solange. “Nos tornamos amigos desde então e agora fica a saudade e as reminiscências de momentos inesquecíveis”, relata.
O professor de arquitetura da Ufal e organizador do Projeto Papel no Varal, Ricardo Cabús, disse que é um momento triste para a cultura alagoana. “Pierre deixou um legado inestimável. É uma perda irreparável”, revela.
O escultor Fred Correia relembrou a importância de Chalita para a classe artística. “Alagoas não perdeu só um artista plástico, mas um professor e ícone vivo da cultura alagoana. Raras pessoas poderão ser lembradas pela referência de seu trabalho e importância de Chalita para a arte e a cultura em Alagoas”, diz.
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