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Manifestações afro relembram Quebra de Xangô a partir de hoje

08:53 - 01/02/2012 Da Redação
Atividades culturais e pedido de desculpas do governador marcam o Xangô Rezado Alto
Atividades culturais e pedido de desculpas do governador marcam o Xangô Rezado Alto

Há 100 anos, Alagoas presenciava um dos mais violentos episódios de intolerância religiosa do país, conhecido como a Quebra do Xangô. O episódio teve motivações políticas, quando terreiros de candomblé foram invadidos e destruídos, com a queima de objetos sagrados. Este ano, o projeto “Xangô rezado alto – o centenário da quebra” relembra o fato e promove diversas atividades, nesta quarta (1) e quinta-feira (2), que estimulam o respeito e a valorização das religiões de matriz africana no estado.

A assinatura do pedido formal de desculpas a todas as comunidades de terreiro pelo governador Teotonio Vilela Filho é uma das ações de maior representatividade do projeto. “Este fato demarca historicamente uma nova etapa na relação entre o Estado e os cultos afrobrasileiros, com o reconhecimento por parte de um chefe político de que a quebra foi um erro histórico”, afirma o vice-reitor da Universidade Estadual de Alagoas, Uneal, Clébio Correia.

Historiadores descrevem a operação Quebra como uma ação truculenta da milícia armada, encabeçada por políticos opositores ao então governador em 1912, Euclides Malta, que era acusado de decadência moral devido à sua relação com as casas de culto afrobrasileiras. Não muito diferente dos tempos atuais, as religiões de matriz africana eram associadas à bruxaria e ao culto ao demônio.

Programação oficial terá cortejo  e apresentações culturais

O ato do pedido de desculpas formal do governador será realizado nesta quarta-feira (1), às 17h30, na Praça dos Martírios, após o cortejo popular que contará com a participação de dez comunidades de terreiro e federações e saíra às 15h30 da Praça da Assembleia em direção à Praça dos Martírios.

Após às 18h, haverá a apresentação de bandas, como a Guerreiros Quilombola e Wilma Araújo “70 anos de Clara Nunes. No segundo dia da programação, os shows iniciam às 17h, na Praça dos Martírios.

A iniciativa é da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), em parceria com secretarias estaduais e diversas instituições.

PROMOTORIA ESPECIAL - Apesar do tímido avanço no combate à intolerância, religiosos afro-alagoanos não estão satisfeitos com o tratamento dado por alguns órgãos locais. Em dezembro de 2011, as comunidades fizeram uma denúncia no Ministério Público (MP/AL) contra a Prefeitura de Maceió, que restringiu tempo e espaço para as oferendas à iemanjá, realizadas anualmente no dia 8 de dezembro.

As ações de restrição e repressão às práticas de religiões afrodescendentes são expressivas ao ponto do Ministério Público enxergar a necessidade de criar a Promotoria de Repressão ao Preconceito Racial e à Intolerância Religiosa, que começa a funcionar em 40 dias. “A demanda existe. Neste momento, está sendo feito o levantamento e estudos necessários para a criação dessa promotoria, que dará um tratamento especializado aos casos de intolerância religiosa”, assegura o procurador substituto do MP, Sérgio Jucá.



Fonte: Com Agências

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