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Capitão alagoano diz que construções no Haiti eram precárias

12:40 - 13/01/2010 Elaine Rodrigues
Ponto Forte 22 antes do desabamento
Ponto Forte 22 antes do desabamento

Depois de passar sete meses em Missão de Paz no Haiti, o capitão do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, Alan Santos, conta que as construções do país eram precárias, o que pode ter piorado a destruição causada pelo terremoto que atingiu o país nesta terça-feira.

O comandante do pelotão que viajou de Alagoas contou que a maioria das construções no país eram de cimento e concreto. "Poucas eram com ferro e aço, que era muito difícil de ser encontrado", revelou, acrescentando que, em Porto Príncipe, capital do Haiti, onde ficam as tropas brasileiras, a população é muito pobre - quem tem mais dinheiro vive nas montanhas.

Além disso, na capital as casas são amontadas e as construções tem vários andares. "Lá nós temos um grande problema social. Faltam empregos, investimentos em saúde, comida e não há saneamento básico", disse o capitão, acrescentando também um grande problema ligado ao tráfico de drogas.

Segundo Alan Santos, em Porto Príncipe estão três Pontos Fortes do Exército brasileiro e o Ponto Forte 22, que ficou destruído depois do terremoto, era uma construção antiga, com muitas marcas de tiros que não foram rebocadas para mostrar a luta e a dificuldade com que o Exército ocupou a base.

"O Exército resolveu manter as marcas de tiros nas paredes, sem o reboco, porque aquela era uma área ocupada por traficantes e foi muito difícil conquistar aquela base. Era uma base com grande valor histórico", contou, lembrando com orgulho da Missão cumprida no país estrangeiro, mas lamentando essa grande dificuldade que a população de lá está passando.

Reconstrução

Na Missão de Paz na qual os alagoanos ajudaram, o maior foco era ajudar o país no desenvolvimento, principalmente no interior, onde foram construídas várias pontes, foi colocado asfalto em vias e o setor de Engenharia do Exército conseguiu grandes avanços.

Agora, para o capitão, o maior problema é o atendimento às vítimas. "Se eu estivesse lá hoje, o maior problema seria para onde levar esses feridos. A gente iria passar pelas ruas e encontraríamos muitos feridos, mas iriamos levá-los para onde?", questionou, acrescentando que não há estrutura para o atendimento de emergência e, depois do tremor, a situação deve ter piorado.

"Lá eles não tem ambulâncias. Não tem Samu. Então acho que o esforço maior é para prestar atendimento às vítimas, depois teria o alojamento daqueles que perderam as casas e ainda o envio de água e comida", destacou.

Outro problema é relacionado ao aeroporto, que só funciona durante o dia, mas ele ressalta que o Porto pode ser uma grande porta para a entrada de alimentos, água e outros tipos de ajuda humanitária.   

Fotos
    Capitão Alan Santos lamenta destruição causada por terremoto no Haiti
    Capitão Alan Santos diz que Ponto Forte 22 era um patrimônio histórico
    Capitão Alan Santos lamenta destruição causada por terremoto no Haiti
    Ponto Forte 22 antees do desabamento
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