Capitão alagoano diz que construções no Haiti eram precárias
Depois de passar sete meses em Missão de Paz no Haiti, o capitão do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, Alan Santos, conta que as construções do país eram precárias, o que pode ter piorado a destruição causada pelo terremoto que atingiu o país nesta terça-feira.
O comandante do pelotão que viajou de Alagoas contou que a maioria das construções no país eram de cimento e concreto. "Poucas eram com ferro e aço, que era muito difícil de ser encontrado", revelou, acrescentando que, em Porto Príncipe, capital do Haiti, onde ficam as tropas brasileiras, a população é muito pobre - quem tem mais dinheiro vive nas montanhas.
Além disso, na capital as casas são amontadas e as construções tem vários andares. "Lá nós temos um grande problema social. Faltam empregos, investimentos em saúde, comida e não há saneamento básico", disse o capitão, acrescentando também um grande problema ligado ao tráfico de drogas.
Segundo Alan Santos, em Porto Príncipe estão três Pontos Fortes do Exército brasileiro e o Ponto Forte 22, que ficou destruído depois do terremoto, era uma construção antiga, com muitas marcas de tiros que não foram rebocadas para mostrar a luta e a dificuldade com que o Exército ocupou a base.
"O Exército resolveu manter as marcas de tiros nas paredes, sem o reboco, porque aquela era uma área ocupada por traficantes e foi muito difícil conquistar aquela base. Era uma base com grande valor histórico", contou, lembrando com orgulho da Missão cumprida no país estrangeiro, mas lamentando essa grande dificuldade que a população de lá está passando.
Reconstrução
Na Missão de Paz na qual os alagoanos ajudaram, o maior foco era ajudar o país no desenvolvimento, principalmente no interior, onde foram construídas várias pontes, foi colocado asfalto em vias e o setor de Engenharia do Exército conseguiu grandes avanços.
Agora, para o capitão, o maior problema é o atendimento às vítimas. "Se eu estivesse lá hoje, o maior problema seria para onde levar esses feridos. A gente iria passar pelas ruas e encontraríamos muitos feridos, mas iriamos levá-los para onde?", questionou, acrescentando que não há estrutura para o atendimento de emergência e, depois do tremor, a situação deve ter piorado.
"Lá eles não tem ambulâncias. Não tem Samu. Então acho que o esforço maior é para prestar atendimento às vítimas, depois teria o alojamento daqueles que perderam as casas e ainda o envio de água e comida", destacou.
Outro problema é relacionado ao aeroporto, que só funciona durante o dia, mas ele ressalta que o Porto pode ser uma grande porta para a entrada de alimentos, água e outros tipos de ajuda humanitária.
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