Governador proíbe 'carteirada' e cobra investigações
A polêmica ação dos policiais civis na última segunda-feira, quando a gerente nacional do cinema Centerplex foi presa por não permitir a entrada de agentes, mobilizou até o governador em exercício de Alagoas. Em nota oficial, José Wanderley Neto se pronunciou, proibindo a 'carteirada' e ressaltando que o livre acesso de agentes públicos a estabelecimentos de diversão só está permitido, conforme lei federal, caso eles estejam em serviço.
"Não há nenhuma legislação estadual que permita o acesso gratuito ou com abatimento de agentes públicos às casas de diversão e similares. O franco acesso de policiais aos referidos estabelecimentos dar-se-á tão somente quando em pleno exercício da profissão", afirmou.
A nota oficial que está sendo veiculada nos meios de comunicação ainda explica que o Governo pede a apuração do caso para saber se houve excesso e abuso de autoridade policial na prisão da gerente do cinema. "Ao tempo em que lamenta o episódio, o Governo do Estado ratifica sua posição de não admitir, não tolerar e nem proteger atos de violência, garantindo à sociedade que ao final da apuração, havendo culpados, os responsáveis serão punidos com o rigor da lei", afirmou Wanderley.
Promotores de eventos
Depois dessa polêmica, os promotores de eventos que atuam em Alagoas vão se reunir hoje pela manhã para discutir medidas que combatam a 'carteirada' de policiais e outros agentes públicos.
O encontro está marcado para as 10h, no Hotel Ponta Verde. Estarão presentes representantes da associação de bares e restaurantes, políticos, promotores de eventos, entre outros interessados no assunto.
Polêmica no cinema
Na última segunda-feira, a gerente nacional do Centerplex chegou a ser presa depois que impediu a entrada de três policiais civis. Ela explicou que, antes deles, outros tentaram entrar e que, em nenhum momento, eles contaram que estavam a serviço. Ela também disse que as cadeiras são numeradas e que não poderia emitir um bilhete sem reservar uma cadeira.
A prisão da gerente foi flagrada pelo circuito interno do shopping Pátio Maceió e ela contou que os policiais fizeram questão de passar com ela por várias lojas do shopping, podendo ter pegado outras saídas.
Na terça-feira, o secretário de Estado de Defesa Social, Paulo Rubim, afirmou que a Polícia Civil tinha recebido um informe alertando para o tráfico de drogas dentro dos cinemas, o que motivou a operação. Ele ainda lamentou que a carteirada é comum em Alagoas. "Em 99% dos casos é carteirada, mas naquele caso, os policiais estavam em serviço", contou.
Rubim ainda explicou que os policiais civis estão amparados por uma lei federal, tendo portanto acesso a qualquer local público no exercício da profissão. Mas, para combater o abuso de policiais, ele pediu que os proprietários de estabelecimentos de diversão anotem os nomes dos policiais que entrassem, para que eles comprovem à Defesa Social que estavam mesmo a serviço, caso contrário, vão responder processo administrativo.
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