Trote no Samu: a brincadeira que mata inocentes; ouça ligações
Somente na última terça-feira (31), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recebeu 1.179 trotes, que totalizaram 79,13% do total de ligações telefônicas registradas naquele dia pela central de atendimento. O Tudo na Hora teve acesso às gravações de dez trotes. Na maioria deles, as vozes são de crianças, que ligam para o 192, avisam sobre falsas ocorrências e acabam prejudicando o trabalho de socorro prestado pelo serviço às vítimas de acidentes e crimes, sem falar no atendimento a ocorrências médicas de urgência, como infartos e partos.
A brincadeira de mau-gosto às vezes acaba mal para quem a faz. Os atendentes do Samu são treinados para identificar, ou pelo menos desconfiar de que certas ligações são trotes, muitas vezes de telefones públicos. A origem do telefonema pode ser identificada, e já houve casos em que foi feito o flagrante do trote pela polícia.
Além disso, os atendentes também são adestrados para conduzir a conversa de modo a que o autor do trote desista e desligue.
Ofensas
Palavrões, xingamentos e até brincadeiras de repetir o que a atendente diz. Os trotes duram, geralmente, de segundos a alguns minutos e congestionam as linhas da central de atendimento do Samu diariamente, além de fazerem as viaturas se deslocarem para locais indevidos, dificultando o atendimento a vítimas reais.
Em um deles, um jovem xinga o atendente com um palavrão e, em seguida, começa a cantarolar. Ouça abaixo o trote:
Um dos trotes chega a acionar a ambulância do Samu para um suposto homicídio em Flexeiras, distante 61 km de Maceió. “Mataram um aqui […] em Flexeiras […] venham logo pra cá!”, diz um homem. “Mas a pessoa está viva ou morta?”, pergunta a atendente. O homem se contradiz e fala que a vítima está viva. Depois, segue-se uma série de “sei não” como respostas, quando a atendente pergunta o endereço, o telefone de contato e se há alguém por perto que possa dar mais detalhes da ocorrência. Ouça abaixo:
Uma das ligações registra uma voz masculina que, após cumprimentar a atendente, coloca uma criança – notadamente de pouquíssima idade – na linha. E a conversação termina sem sentido algum. Clique no player abaixo e ouça:
Outras crianças se identificam como médicos, mas logo se nota que estão de brincadeira. À primeira pergunta da telefonista, a menina não sabe informar para onde deseja a transferência do “paciente”.
Uma voz jovem avisa sobre um homem caído na rua. Quando o atendente pede para que a garota passe para o seu pai, ela se recusa. O atendente ameaça enviar o número para a polícia e a ligação, mais uma vez, termina.
Mais de 400 mil trotes em 2011
No ano passado, o número de trotes ultrapassou a marca de 411 mil ligações, totalizando um percentual de 83,57%. "É um número muito expressivo", lamentou Arnaldo Santos, assessor de comunicação do Samu.
Para tentar reverter esses números, o Samu realizará um programa de conscientização nas escolas de Maceió durante todo o mês de fevereiro. Técnicos irão mostrar a importância do trabalho realizado pelo serviço e os prejuízos causados pelos trotes.
Ouça mais ligações:
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