Filho de Antônio Albuquerque pode ter sido alvo de pistoleiros
A fazenda em que quatro homens atiraram em Nivaldo Ferreira Albuquerque Neto, filho mais velho do deputado estadual Antônio Albuquerque (PTdoB), na tarde da sexta-feira (3), é uma das propriedades do parlamentar e não é a principal. Ela não tem casa, só tem currais e pastagens.
Este detalhe, segundo apurou o Tudo na Hora neste sábado (4), pode indicar que os quatro homens não pretendiam roubar dinheiro e outros bens domésticos. Eles pretendiam matar Nivaldo ou roubar o carro – ou as duas coisas. Há, também, a hipótese remota de que os quatro nem sabiam de quem se tratava e resolveram roubar um veículo que os atraiu quando passavam pelo local.
“Eles chegaram lá a pé”, conta uma fonte que prefere manter o sigilo, citando depoimentos de testemunhas que estavam no local. “Mas se eles queriam roubar, parece que nem sabiam dirigir aquele carro, porque logo adiante bateram com ele”, comentou. O carro é uma camionete Hillux preta, pertencente ao deputado, que Nivaldo dirigira até a fazenda e os quatro homens levaram e depois abandonaram a pouco mais de 1km do local.
Se este for o caso, a Hillux serviu apenas para que os quatro homens fugissem do local do atentado, ou como pista falsa para simular um assalto. Esta versão procede, porque, segundo as testemunhas, havia um outro veículo – um Fiat Siena escuro, segundo o amigo da família – dando cobertura à distância e esperando pelos homens. Foi nesse carro que eles fugiram.
São esses dados, ou versões, que levam o amigo da família Albuquerque a admitir que Nivaldo Neto era possivelmente o alvo dos quatro homens – seja para atingir o rapaz pessoalmente ou para atingir o pai através do filho.
Sobre uma possível reação de Nivaldo que tenha motivado os tiros, a fonte disse que as informações que ouviu eram desencontradas. "Tem gente que diz que sim, tem gente que diz que não".
Indagada pelo repórter se o filho do deputado seria pré-candidato a prefeito de Limoeiro de Anadia este ano, a fonte negou, enfática: “Não, o Nivaldinho não vai ser candidato. Ele até foi sondado, mas não vai ser ele não, todo mundo lá sabe disso. O candidato vai ser o tio dele, o antigo prefeito”.
Sigilo na UE e na polícia
No início da tarde deste sábado, a Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca, onde Nivaldo Neto continua internado em estado grave, divulgou nota à imprensa explicando que, “atendendo solicitação dos pais e demais familiares, não mais emitirá informações sobre o estado de saúde do paciente Nivaldo Ferreira Albuquerque Neto”.
O filho do deputado, de 24 anos, foi atingido por quatro disparos – no tórax, boca, ombro e fêmur – e permaneceu durante cerca de cinco horas em cirurgias. Foi necessário, inclusive, convocar um cirurgião buco-maxilo-facial, por causa do tiro que atingiu a boca de Nivaldo. O único boletim médico, divulgado pelo hospital no início da madrugada deste sábado, depois das cirurgias, informava que o estado do paciente é “grave e inspira cuidados”.
As buscas à quadrilha que cometeu o atentado prosseguem, também em sigilo: ninguém da polícia fala sobre o assunto, e neste sábado a maioria dos telefones permaneceu desligada ou sem atender. A chefe da Delegacia Especial de Investigações e Capturas, delegada Ana Luíza Nogueira, chegou a atender a uma ligação do repórter, mas disse que não podia falar porque estava “no meio de uma diligência”.
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