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Atentado: polícia prende quatro e vê indícios de assalto

13:23 - 10/02/2012 Acássia Deliê e Luciana Buarque
Quatro parentes dos acusados foram presos pela polícia
Quatro parentes dos acusados foram presos pela polícia

Atualizado às 19h27

A Polícia Civil de Alagoas prendeu quatro pessoas e apreendeu duas menores acusadas de fazer parte da quadrilha que deflagrou quatro tiros em Nivaldo Albuquerque Neto, filho do deputado estadual Antônio Albuquerque, no último dia 3, em Limoeiro de Anadia. Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (10), o delegado-geral da PC, José Edson Freitas, e os três delegados designados para apurar o crime apresentaram os quatro presos adultos. No entanto, nenhum dos seis participou diretamente do atentado, segundo a polícia.

Os quatro presos e as menores são, na verdade, familiares dos cinco homens apontados como autores materiais do atentado contra Nivaldo. Durante a prisão dos parentes foi encontrada - entre outros objetos - uma pistola 380 registrada em nome de Rafael Albuquerque, irmão do deputado Antônio Albuquerque e tio de Nivaldo. Para a polícia, a arma é o principal indício de que os cinco suspeitos, ainda foragidos, são os responsáveis pelo atentado de Limoeiro, já que a arma teria sido roubada no dia do crime.

A polícia apresentou à imprensa José Miguel dos Santos, José Vicente da Silva, Leonilda Maria da Conceição e Maria das Dores Bezerra dos Santos. Por serem menores, as duas adolescentes apreendidas não foram apresentadas. Todos foram encontrados em residências do município de Arapiraca.

Com os familiares presos, foram encontradas joias, armas, celulares, capacetes, entre outros objetos que teriam sido roubados pelo grupo na região. Eles foram autuados em flagrante por porte ilegal de armas de uso restrito, receptação, formação de quadrilha, e também serão indiciados por co-participação no crime do dia 3.

De acordo com José Vicente da Silva, padastro da esposa de um dos foragidos, os objetos encontrados pela polícia foram deixados na casa dele por volta do meio-dia de ontem (9). "Eu tava trabalhando, quando cheguei em casa vi esse monte de coisa e fiquei sem saber o que fazer. Aí a polícia chegou e prendeu a gente", afirmou.

Concederam a entrevista coletiva, além do delegado-geral da PC alagoana, os promotores de Justiça Luiz Vasconcelos e Cyro Blat, e os delegados Maurício Henrique Duarte, Kelman Vieira e Ana Luiza Nogueira, responsáveis pela investigação. Os três delegados são os mesmos designados para investigar o assassinato do médico e vereador Luiz Ferreira, de Anadia.

O que aconteceu?

De acordo com a delegada Ana Luiza Nogueira, chefe das investigações, há fortes indícios de tentativa de latrocínio - roubo seguido de homicídio. Segundo ela, o crime foi praticado por Anderson Tavares, sergipano, conhecido como "Galego", que teria atirado em Nivaldo; José Francisco da Silva, o "Olho de Burra"; Roosevelt dos Santos Filho, o "Ruzinho"; e o menor J. P. S., de 17 anos, conhecido como "Satanás".

Um quinto homem, identificado como Josimário Francisco de Farias, é taxista e daria cobertura aos crimes da quadrilha. Segundo a polícia, todos fazem parte de um grupo responsável por diversos crimes praticados na região do Agreste, inclusive um assalto realizado na casa do delegado de Palmeira dos Índios, Adalberto Meira Cavalcante, ocorrida no início deste mês.

No caso de Limoeiro, a polícia acredita que a quadrilha buscava roubar o carro - Toyota Hilux - estacionado na Fazenda Jurema, de propriedade da família Albuquerque. Como Nivaldo teria reagido ao ataque, foi baleado. Josimário teria deixado os quatro colegas dentro da fazenda e, depois, ajudado na fuga, já que o pneu da Hilux teria furado.

"Pelo que nós apuramos com a família, eles sequer sabiam quem era a vítima. Já estão acostumados a roubar carros de luxo para praticar assaltos. Pelo menos dez outros crimes serão esclarecidos com a prisão destes acusados. Já estamos investigando essa quadrilha há cerca de dois meses e acreditamos que fugiram agora por causa da repercussão do caso", disse a delegada Ana Luiza Nogueira.

Investigações continuam

Embora a Polícia Civil acredite que o crime tenha sido uma tentativa de latrocínio, os delegados admitiram que o crime não está totalmente esclarecido. As investigações continuam e, apesar de terem descartado, no início da coletiva, a hipótese de crime político, os delegados afirmaram que todas as linhas de investigação continuarão sendo consideradas.

O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos foi enfático durante a entrevista coletiva: "Seria precipitado descartar outras hipóteses. Até agora, os indícios apontam para latrocínio, mas existem algumas informações que precisam ser investigadas e que podem apontar, por exemplo, para tentativa de sequestro. Nenhuma hipótese está ainda descartada", disse o promotor, integrante do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), que também trabalha na investigação do caso.

O atentado

Nivaldo Albuquerque Neto, de 24 anos, foi atingido por quatro tiros na tarde da última sexta-feira (3), enquanto trabalhava na Fazenda Jurema, de propriedade da família e localizada na região central de Limoeiro de Anadia. A versão da polícia e dos moradores da cidade era a seguinte: quatro homens armados se identificaram como policiais, invadiram a fazenda, por volta das 16h40, procuraram por Nivaldo, que ainda teria tentado sacar a arma e reagir, mas foi rendido, desarmado e atingido por quatro tiros.

No momento do crime, a vítima estava acompanhada por pelo menos quatro trabalhadores da fazenda, que não foram ameaçados. Após o atentado, apenas a caminhonete Toyota Hilux foi levada pelos atiradores, mas mesmo assim foi abandonada dentro do município.

Nivaldo foi atendido inicialmente na Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca, mas foi transferido de helicóptero para o Hospital Arthur Ramos, em Maceió, onde continua internado e acompanhado pela família. Nesta segunda-feira (6), ele passou por uma cirurgia de traqueostomia para facilitar a respiração. O quadro de saúde dele vem melhorando nos últimos dias, mas a família continua em silêncio sobre o caso.

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Fotos
    Nivaldo Albuquerque está internado no Hospital Arthur Ramos
    Fazenda Jurema, de propriedade da família Albuquerque, onde ocorreu o atentado
    Deputado Antonio Albuquerque, pai de Nivaldo, se mantém longe da mídia sobre o caso
    Antônio Albuquerque permanece de vigília no hospital
    Comissão de delegados foi designada para apurar o crime
    Delegados e promotores concederam entrevista à imprensa
    Materiais apreendidos com os presos
    Materiais apreendidos com os presos

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